Marcella Maia: Artista trans anuncia carreira musical com lançamento de single e clipe

A artista Marcella Maia – ou A MAIA, como costuma assinar o nome artístico – assinou um contrato com a distribuidora Altafonte e, no último 7 de agosto, anunciou o lançamento do single e do clipe da Pra Dá Dolce Bacana, disponível nas plataformas digitais.

“Pra Dá Dolce Bacana” é o primeiro de uma série de lançamentos musicais previstos para o ano de 2020. Com influências em gêneros como Pop, R&B, Afro Beats, Rap Nacional e Música Urbana, A MAIA avisa que este é apenas o começo da carreira musical dela.

“Não consigo descrever em palavras tamanha emoção e orgulho por este trabalho. Foi duro, mas valeu a pena todo o esforço. ‘Pra Dá Dolce Bacana’ é uma música para TODXS. Eu quero que as pessoas escutem muito, dancem, se liberem dos seus clichês e quebrem paradigmas”, disse Marcella.

Marcella Maia Pra Da Dolce Bacana
Marcella Maia (Crédito: Rodolfo Magalhães)
A Maia Pra Da Dolce Bacana
Marcella Maia (Crédito: Rodolfo Magalhães)
Marcella Maia A Maia Pra Dá Dolce Bacana
Marcella Maia (Crédito: Rodolfo Magalhães)

Com cenas de luxo e ostentação, a proposta do clipe é trazer uma nova perspectiva do olhar periférico de onde a artista nasceu. “Lá os meus e as minhas já estão cansados de ver e ouvir desgraça. Por isso, trago no clipe muita riqueza, beleza e ostentação, porque estou aqui para fortalecer o lugar de onde vim e dizer que é possível, quero as manas fortes. A miséria nós já conhecemos de cabo a rabo”, explica, acrescentando que todos têm direito de uma vida melhor: “Luxo e elegância normalmente não são espaços que nos são dados de mãos beijadas”.

Ativista LGBTQIA+, a mineira de Juiz de Fora que hoje se divide entre Brasil, Londres e Milão, assina a produção e roteiro do vídeo, gravado em dezembro na Itália e no Brasil. “Não me limite, sou diva, gosto de todas as cores e não defino meus amores”, declarou a multiartista, que já trabalhou como modelo e atriz – ela participou do filme hollywoodiano Mulher Maravilha, de um videoclipe da cantora norte-americana Fergie e da peça de teatro “Roda Viva”, de Chico Buarque.

Atualmente, Marcella Maia está no ar com a série “Todx Nós”, da HBO, com direção de Daniel Ribeiro e Vera Egito. Sua personagem, Lorena, é diretora de uma companhia de teatro e empresária que tem um café. A identidade de gênero da atriz não é questionada na série, um dos fatores para ela aceitar o papel.

“Já interpretei uma mãe no cinema independente brasileiro, um filme muito bonito do Alexandre Mortagua, e já disse não para um papel em uma TV aberta. Me recuso a me rebaixar ao velho papel estereotipado onde nossos corpos são desrespeitados. Isso é sério, nossos corpos não são públicos e não me arrependo. Lutei pra ser a mulher que sou e hoje apenas sou mulher e minha representatividade trago nas minhas músicas, na ocupação dos lugares e construindo uma carreira com base e relevância. Não vou ficar tocando no assunto o tempo todo e fomentando matérias sensacionalistas”, Marcella Maia, atriz, modelo, cantora e mulher trans.

A história de Marcella Maia

Com a feminilidade bastante aflorada ainda na infância, Marcella Maia teve que lidar com preconceitos, bullying e abusos desde cedo. Aos 11 anos já trabalhava. Aos 15 saiu de casa e, trabalhando em um sinal vendendo doces em Brasília, foi chamada por um olheiro de uma agência de modelos para fazer um teste. Mesmo não passando, conseguiu o seu primeiro emprego para ajudar a descobrir novos talentos. Com 18 anos ela se apresentava como Drag Queen em Juiz de Fora, MG, quando descobriu que de fato queria ser artista, foi vítima de trafico humano e obrigada a se prostituir em Londres. A transição de sexo veio anos depois, já superados alguns tabus, e Marcella demorou para conseguir falar com naturalidade do assunto.

“Não é uma genital que nos define. Somos o que queremos ser e aceitar não é opção, na verdade não precisamos de validação de ninguém. Fiquei calada por muito tempo por medo de perder trabalho. Hoje minha voz é forte e ecoa, nunca precisei levantar bandeira para conseguir meu sucesso, hoje levanto com orgulho porque é necessário, é preciso abrir a escuta, falar de nossos corpos no lugar do amor, da empatia. Pessoas estão morrendo por serem elas mesmas, o Brasil é o país que mais mata travesti. Represento muita coisa e sinto que tenho a responsabilidade de influenciar de forma positiva e impactar a mudança desse cenário que é tão marginalizado. Parte desse trabalho requer dedicação e saber de si e isso eu sei, sou uma mulher forte e é assim que prefiro ser mencionada”, pontou a multiartista.

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